Aqui tem banca Harlequin #73: Resenha dupla - Alma em Chamas - Nora Roberts @harlequinbrasil


Post fixo em homenagem aos romances de banca Harlequin, à partir de 2014, sempre às terças-feiras.




Hoje vamos fazer uma resenha dupla, aqui neste blog, não sei porque, sempre temos Noraholics como colaboradoras, e a Letícia, claro, não foge à regra. 

A legenda de quem está escrevendo 'falando': Cínthia e Letícia


Resenhar pela primeira vez em um blog sobre Nora Roberts é difícil. Primeiro, porque é uma das minhas autoras favoritas, cujos livros eu sempre acabo gostando muito. Segundo, porque foi através dela que acabei pegando o gosto pela leitura.

Mas eis que estou aqui, fazendo uma resenha junto com a Cinthia, do primeiro livro publicado de sua carreira, “Alma em Chamas”. Desde que anunciei aqui que esse livro seria relançado pela Harlequin, sabia que mal iria esperar para ler esse livro, simplesmente pelo fato de ser o primeiro da Nora e por toda a história que ele tinha por sua primeira edição em português ter se tornado uma raridade. Por isso, poucos dias depois que eu o recebi, comecei a minha leitura.

Este é o primeiro livro escrito por Nora Roberts e lançado, em inglês, em 1981, com o nome Irish Thoroughbred, em tradução literal: Puro Sangue Irlandês. Esta é um reedição renovada pela Harlequin já que estes livros 'Corações Irlandeses' só se encontrava em sebos, eu já tinha lido em inglês, apenas o primeiro. Ficamos muito felizes com este lançamento, a capa é linda e a edição está com pequenos erros de escrita, mas no geral o livro ficou bom. Já em seu primeiro livro Nora Roberts coloca alguns pequenos detalhes que estão presentes em vários de seus livros: personagens irlandeses (cheios de amor e beleza), flores, mulheres de temperamento forte  e homens amorosos e carinhosos.

"Sua boca era dominadora e confiante e os dedos de Adelia se fincaram nos ombros dele antes que a intensidade do beijo  a aprisionasse. Como ultimo lampejo de clareza, ela soube que jamais enfrentaria Trevis nesses termos. Em seguida, tudo se perde na exigência sombria do desejo." - Página 105

Minhas expectativas para esse livro eram que iria encontrar uma história no estilo “Florzinha”, e que não seria tão boa quanto os livros mais recentes justamente por ser o primeiro livro dela, expectativas que criei após a leitura de resenhas desse mesmo livro. 

Adelia Cunnane é uma irlandesa, que perdeu os pais quando criança e foi criada pela tia Lottie cuidando sozinhas da fazenda da família, mas agora que a tia morreu, ela, aos 23 anos, vai para os EUA se encontrar com seu tio Paddy, seu único parente vivo, e que pediu de forma simples e gentil: "Venha para a América. Seu lar agora é comigo." pag 07. Quando a 'pequena Dee' chega em Royal Meadows, a fazenda de cavalos onde o tio trabalha se encanta com tudo, principalmente com os cavalos.

Mas me surpreendi quando vi que mesmo que esse livro possa ser categorizado como um “Florzinha”, Nora Roberts quebra algumas das regras desse tipo de romance de banca. Primeiro, nos romances “Florzinha”, é muito comum que o protagonista masculino seja dominador e que use de qualquer meio para ter a mulher que ele quer, até mesmo a violência, o que considero muito errado. Mas apesar de Travis Grant ter agarrado o braço e levantado com força a Adelia quando a encontra pela primeira vez (e sem saber que ela já era funcionária da fazenda dele), a cena de maior violência contra a protagonista ocorre quando ela é atacada sexualmente por outro funcionário da fazenda e nessa hora, Travis a defende, num momento em que seu instinto protetor em relação a Adelia aparece. O segundo é como um momento clichê dos “Florzinha” ocorre nesse livro, mas como ele acontece lá para o final do livro, eu não posso contar qual é, só posso dar uma pista sobre isso: Pense em algo a la Daniel MacGregor. Quem leu vai entender isso...

Travis Grant é o dono de Royal Meadows e logo se encanta com a pequena irlandesa de sangue quente e cabelos vermelhos. E é impossível para eles ficarem afastados e sem brigarem.

Outra coisa que percebi é que ela quis jogar em casa com esse primeiro livro, pois a Adelia é irlandesa (Para quem não sabe, a Nora é descendente de irlandeses.), a história em grande parte se passa no estado americano de Maryland, onde a Nora Roberts vive, e por citar o universo da criação de cavalos e as corridas de turfe, duas paixões da autora. Aliás, ela usa como cenário algumas das corridas de turfe mais populares dos Estados Unidos, como o Premio Bluegrass e o Kentucky Derby, que é a mais tradicional das corridas de turfe nos EUA e que a autora já assistiu pessoalmente diversas vezes, incluindo a edição desse ano. Aliás, essa foto aqui embaixo foi tirada na edição desse ano e retrata ela, seu marido, o filho Jason e sua esposa Kat.

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Foto retirada do blog Fall Into The Story, que é parte do site oficial da autora (www.noraroberts.com).
Como a Letícia já disse Nora fala sobre corridas de cavalo, já que Travis Grant é criador de cavalos puro sangue para corridas e Adelia, Dee, é uma das cavalariças que ajuda a cuidar dos cavalos, e que inclusive viaja para algumas das corridas com Travis.

"O braço de Travis a envolveu, e Adelia se viu esmagada em seu peito musculoso, espremida entre esse corpo esbelto e o mais encorpado do tio. Era como estar imprensada entre duas paredes imóveis e amorosas, e ela achou a sensação maravilhosa, uma inebriante mistura de perfumes e texturas. O tio gritava ao seu ouvido, e a sua cabeça estava aconchegada no peito de Travis. A vitória de Majesty foi o melhor presente que já recebera." - Página 119

O relacionamento de Travis e Adelia se desenvolve com o tempo, mesmo quando ela ainda pensa que não é suficiente para ele. Mas, no final eu senti que a resolução do impasse que impedia que os dois entendessem que se amam foi um pouco corrido. Acho que isso se deve ao fato de ser o primeiro livro dela e de que ela explorou bastante as corridas de trufe que eles participaram com o cavalo Majesty. Mas podemos dizer que a Nora evoluiu muito como autora.

Concordo com a Letícia quando ela diz que Nora Roberts evoluiu como autora, mas a essência de sua escrita: sua forma cativante de criar personagens ainda mais cativantes; de descrever paisagens e situações que nos leva para lugares e momentos perfeitos, já se encontram neste primeiro livro.

Para mim, a nota desse livro é 4 estrelas. 

Para mim também o livro é 4 'estrelas', principalmente porque acaba cedo demais, e acho que os próximos livros não teremos 'notícias' dos personagens deste livro... preciso ler o segundo 'O mistério de uma flor' para descobrir. Mas acho que os livros se 'interlaçam' através da cidade de Skibbereen, na Irlanda.


Pode se acalmar, Cinthia, pois acabei de receber "O Mistério de uma flor" e olhando as primeiras páginas, eu descobri que sim, teremos noticias de Adelia e  Travis. Aliás, a Erin, protagonista do segundo livro, é prima da Adelia. Antes de encerar a minha parte, tenho que contar sobre duas músicas que são citadas nos livros: “My Wild Irish Rose” e  “My old Kentucky home”.

Eu adoro livros com músicas, e ao ler os nomes das músicas acima, fui ao Spotify e as busquei para ouví-las, mas a Letícia colocou vídeos para nós...

A primeira “My Wild Irish Rose” é a música que Travis assovia após beijar a Adelia quando ele a convidou para que vá com ele para o Premio Bluegrass. Após algumas pesquisas na Wikipedia, descobri que essa canção foi escrita em 1899 por Chancellor Olcott, um compositor americano de origem irlandesa para o musical “A romance of Athlone” Em 1947, essa música foi usada no filme de mesmo nome que contou a historia de seu compositor. Ela combinou bem com o comportamento do Travis em relação a Adelia após conhecê-la. Eis a música em uma versão de Daniel O’ Donnell.


A segunda, “My Old Kentucky Home” é citada no livro no momento em que os cavalos participantes do Kentucky Derby vão pela pista até as cabines de partida. Na vida real, essa música é uma tradição do Kentucky Derby, sendo tocada todos os anos no mesmo momento em que ela é citada no livro. Ela foi composta em 1852 por Stephen Foster e retratava uma cena comum nas plantações que trabalhavam os escravos norte-americanos, mas teve alguns versos modificados em 1986 após a proposta de um deputado estadual do Kentucky que considerou que a letra tinha conotações racistas que não eram mais aceitáveis, apesar de que abolicionistas diziam que a canção criava a simpatia pelo escravo americano e gerava ideias contra a escravidão dos negros nos Estados Unidos. Eis a versão de Randy Newman (Sim, aquele que compôs músicas para diversos filmes da Pixar e que canta o tema da série Monk.) para essa música.



 Espero que tenham adorado essa resenha dupla. Até a próxima resenha!

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