Um outro olhar #18: Resenha 'O Espião' - Clive Cussler e Justin Scott @Novo_Conceito


A resenha de hoje foi feita por um convidado... que é o objetivo desta coluna do blog, e o convidado de hoje foi convidado pela Aninha, do IcultGen, o Adilson é colaborador no iCultGen e como a Ana e o Alonso estão mega lotado de trabalhos eles não conseguiram fazer a resenha do livro 'O Espião' que eu tinha enviado para eles.

eResenha do livro O ESPIÃO, de Clive Cussler e Justin Scott




A primeira coisa que me chamou a atenção na série de livros da dupla Clive Cussler e Justin Scott é a arte de capa das obras, portadora de um elegante toque vintage que se faz notar em qualquer estante. A segunda é o bom preço que não comprometeu em nada o acabamento da obra - carreguei o livro para todos os lugares que ia, durante uma semana inteira nas mãos, pois eu lia sempre na ida para o trabalho e no retorno para casa, e ele resistiu sem um sinal de desgaste. Uma deliciosa leitura, por sinal.





A história se dá em 1908, começando em Washington, D.C. e passando por Nova York, Chigago e outras cidades estadunidenses. A narrativa começa com a morte de um artilheiro chamado Arthur Langner, um dos responsáveis pelo aperfeiçoamento de um projeto secreto que visa desenvolver navios de guerra mais resistentes e belicamente abastecidos para a frota norte-americana. A autoridade naval toma a morte do oficial por suicidio. Inconformada, a filha do artilheiro resolve procurar a Agência de Detetives Van Dor e contrata o detetive Isaac Bell para acompanhar paralelamente o caso, na esperança de descobrir algo que os investigadores oficiais ignoraram. Logo, o detetive se vê às voltas com um perigoso caso de espionagem industrial que pode lhe custar a própria vida.

A trama envolve a tentativa de sabotagem no desenvolvimento dos Dreadnoughts da Marinha norte-americana que possuia, à época, uma frota de navios de guerra atrasados tecnologicamente – desenvolviam pouca velocidade e resistência a bombardeios, aliados a imprecisão da artilharia. Apesar de um tanto linear e sem reviravoltas geniais, a narrativa descortina personagens bem desenvolvidos – membros de gangsters de Nova York, sabotadores alemães, chineses, japoneses e uma lista de candidatos ao Espião do título. A elegância dos diálogos e as várias sequências de ação da história conseguem prender a atenção até o final. Responsável pela orquestração de uma verdadeira sucessão de assassinatos, os estranhos e perspicazes métodos do Espião põe à prova as habilidades de Isaac Bell, que se vê diante de um inimigo manipulador e cruel. Numa das sequências, nosso detetive se encontra num trem, perseguindo o escorregadio vilão, seguindo uma pista em direção à Chicago. Ele instintivamente sabe que o Espião se encontra ali, em trânsito, e interage com todos os suspeitos procurando sinais que denunciem o convicto. Alguns trechos dos pensamentos do próprio vilão nos fazem saber o momento exato em que ele consegue despistar o detetive. Essa sequência é escrita de maneira a confundir a mente do próprio leitor - que a essa altura já tem quase a certeza de quem ele é, ou era - e se trata, na minha opinião, de uma das passagens mais legais do livro. A partir daí passamos a ter as mesmas incertezas de Bell, sendo levados a compartilhar do seu ponto de vista (tamanha a engenhosidade dos autores) ainda que por pouco tempo, pois a trama já se encaminha para as revelações e o desfecho.

É digno de nota a reconstituição de época e algumas expressões técnicas da indústria naval, que não chegam a cansar o leitor e contribuem para a atmosfera realista da trama. O aprimoramento dos navios de guerra da Marinha norte-americana, na primeira década do século XX, representava uma corrida contra o tempo, já que era considerada a iminência de uma guerra entre as principais potências daquele período (que acabou tendo início na primeira metade da década seguinte, mas sem o envolvimento direto dos EUA). As instalações de desenvolvimento das novas tecnologias eram alvo de espionagem industrial e sabotagem (ainda o são, não obstante os modernos mecanismos de segurança) e o preço das informações dos projetos de escopo militar valiam pequenas fortunas em meio à corrida armamentista. Cheguei mesmo a me perguntar se alguns personagens e acontecimentos, como a morte 'acidental' de algumas figuras importantes da trama, não teriam realmente contexto histórico.



A série de aventuras do detetive Isaac Bell conta com 6 publicações lá fora (a última, de 2013), sendo que 2 delas, A Caçada e O espião (aqui resenhado) vem sendo publicados no Brasil pela Editora Novo Conceito. Que venham os outros livros do pomposo detetive.

Clive Cussler começou a escrever em 1965 e já publicou mais de 50 livros. Cussler é também explorador submarino e caçador de embarcações históricas naufragadas, tendo escrito dois famosos livros sobre suas pesquisas e descobertas nesse campo - The Sea Hunters:True Adventures With Famous Shipwrecks, de 1996 e Sea Hunters II: Diving the World's Seas for Famous Shipwrecks, de 2002 -, ainda não publicados no Brasil.
Justin Scott é autor de 24 romances e criador de um detetive chamado Ben Abbot e assina algumas de suas obras com o pseudônimo de Paul Garrison.


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Abaixo, alguns trechos do livro:

Yamamoto esgueirou-se para trás da cerca viva e correu. O vigia embrenhou-se por entre os arbustos da cerca e, à medida que lutava para se desenroscar, urrava como um touro. Yamamoto ouviu os gritos de resopsta a distância. Mudando de caminho, correu ao longo do muro alto. Quando se preparava para a “visita”, ele descobrira que a latura do muro fora aumentada depois da invasão de alguns saqueadores, quando o Arsenal fora inundado pelo Rio Potomac. Contava com o dobro do tamanho original. (…) Ainda podia ouvir os gritos atrás do muro. A rua que passava abaixo seguia deserta para a cidade. Ele saltou, amortecendo a queda com os joelhos flexionados.


Embaixo, as duas mulheres  atraíam as atenções masculinas ao cruzar o saguão de mármore e acabamentos dourados do Willard. A mais jovem, uma rauiva esguia de 18 ou 19 anos, elegantemente vestida, trazia um blilho animado nos olhos. A companheira, uma beldade alta de cabelos negros, seguia sóbria no traje escuro de luto, o chapéu adornado com penas pretas de gaivota, o rosto parcialmente velado. A ruiva caminhava ao seu lado, de braço dado, como se para lhe dar coragem.


O alemão olhou para trás. As chamas elevavam-se no céu noturno. Os edifícios ao redor do alto-forno desmoronavam em ruínas. As paredes desabavam, os tetos despencavam e, por todo lado, só se via fogo.
Ele praguejou em voz alta, espantado com a destruição imensa que provocara.


Bell tinha memória fotográfica. Em uma fração de segundos, retornou mentalmente ao escritório de Arthur Langner. Viu as estantes alinhadas com os volumes encadernados dos requerimentos de patentes de Langner. Precisara abrir vários para encontrar uma amostra para fotografar. Os anteriores a 1885 haviam sido preenchidos à mão. Os mais recentes estavam datilografados.


O Locomobile fora construido para as pistas de corrida e detinha muitos recordes. Os para-choques e os faróis, equipamentos da fábrica para a direção na cidade, não o domesticavam. Nas mãos de um homem com nervos de aço, paixão pela velocidade e reflexos de um gato, o grande motor de 16 litros permitia uma velocidade fantástica nas estradas vicinais de New Jersey, e ele se projetava através das cidades modorrentas com um meteoro.



3 Dreadnoughts!



Eu adorei a resenha do Adilson, e vocês?




4 comentários :

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