Minhas impressões: Edwige, a inseparável - Edgar Morin @EditoraBertrand

Eu ganhei 'Edwige, a inseparável' em uma promo da Bertrand, no segundo minuto do 2º tempo resolvi dar RT após ler a sinopse e fiquei muito feliz por ter ganhado... e me encantei com este amor. O livro é um verdadeiro Um poema de amor!
Livro ganho em promoção



Sinopse

Minhas impressões

Este livro é uma 'biografia', mas me parece mais um tributo, uma homenagem dedidcado à mulher de sua vida, Edgar Morin, um sociólogo e filósofo francês, que já escreveu diversos mais de 30 livros sobre diversos assuntos, grande parte deles lançados pela Bertrand aqui no Brasil.

Em 'Edwige, a inseparável' Edgar conta sobre Edwige, a mulher de sua vida... aquela que era destinada a ele desde sempre... mas eles só conseguiram ficar juntos de fato depois de muito tempo, ambos se casaram se separaram, tiveram filhas com outros parceiros, mas na maturidade ficaram juntos, se amparando, se amando e sendo ao mesmo tempo amigos, amantes, pai-filha, mãe-filho, uma relação de muito, muito amor. Viveram quase trinta anos de vida em comum.

Edgar narra a história de Edwige, seus sofrimentos na infância, o abandono pelo pai, o casamento e a perda da filha (a guarda da filha), a forma como eles se encontraram e se aproximaram, e em como se tornaram dois em um e em como viveram no ninho de amor um 'paraíso cotidiano, feito de olhares-sorrisos-beijos-carícias-mi-pequenas-felicidades-divinas', e em todas as dificuldades pelas quais passaram juntos, principalmente no final da vida de Edwige, quando acometida de doenças que afetaram sua respiração e depois o câncer reincidente, até o fim em 29 de fevereiro de 2008, o que fez Edgar sofrer muito e por muito tempo após o 'vôo' de Edwige. 

O livro tem recadinhos (em francês, sem tradução) deixados por Edgar e por Edwige, de um para o outro, desenhos de pássaros, Edwige amava pássaros e quase se achava um, tanto que suas casas, foram preparadas como se fossem ninhos, Edgar inclusive diz, 'na época da nidação', ao se referir à época de preparo/mudança de casa. E também Edwige denominava a casa deles 'É para o ninho'.


Me encantei com a narrativa de amor, de compreensão e sobretudo de fidelidade ao GRANDE AMOR da vida dele. E sua lucidez para escrever e para descrever sua dependência de Edwige, e vice-versa.


O trabalho da capa e edição é lindo, o papel da capa tem uma textura, um auto relevo o livro é encantador já pela capa...
4ª capa


Sobre o autor


Edgar Morin, pseudônimo de Edgar Nahoum, nasceu em Paris, em 8 de julho de 1921, é um sociólogo, antropólogo e  filósofo francês. Ainda vive em Paris

Pesquisador emérito do CNRS (Centre National de la Recherche Scientifique). Formado em Direito, História e Geografia, realizou estudos em Filosofia, Sociologia e Epistemologia. É considerado um dos principais pensadores sobre a complexidade. Durante aSegunda Guerra Mundial, participou da Resistência Francesa. É considerado um dos pensadores mais importantes do século XX e XXI. 

Fonte: Wikipédia


Citações

São tantas que me marcaram... tantas que me emocionaram, vai ser difícil escolher apenas algumas, mas vou tentar.

"Nossos pequenos paraísos... Eles começavam de manhã, quando, depois de ter preparado seu café, eu abria a porta para Herminette, que corria e se precipitava sobre o leito: Edwige e ela se cobriam mutuamente de beijos. Em seguida, era a minha vez de dar meu bom-dia de beijos." pag 13Herminette é uma das gatas do casal.


"Quando comprava alguma coisa para o apartamento, dizia: 'É para o ninho.' Era o abrigo, o refúgio dos 'inseparáveis' que éramos, como esses periquitos que se beijocam sem cessar e que morrem quando são separados." pag 13

"Quantas reservas de magia e de alegria havia nela!Essa garotinha maltratada, incompreendida, manipulada durante toda a sua vida havia permanecido cândida, até mesmo em sua mil pequenas espertezas, para se proteger.(...)Edwige tinha uma presença forte para todos aqueles que a conheciam. Para mim, vejo bem agora, era uma presença solar." pag 39/40

"Com Violette e Johanne, um ciclo se findava: havíamos derivado, divergido um do outro no decorrer dos anos. A separação, dura, mas inevitável, aconteceu. A afeição permaneceu. Na relação com Edwige, havíamos convergido de maneira cada vez mais íntima.(...)Penso com remorso em meus nervosismos. Às vezes eu também a ouvia distraidamente. Havia uma segunda Edwige, e havia também um segundo Edgar - aquele visível, dos nervosismos, das negligências ou das distrações, aquele clandestino, das atrações nascidas de fascinações por rostos (que trouxessem em si uma dor secreta ou uma loucura secreta.) Contudo, jamais tive a intenção de deixá-la - ela nunca deixou de ser poesia para mim." pag 76/77

"Embora não tivesse consciência da marcha fatal, eu percebia cada vez mais sua dependência e sua fragilidade; em novembro de 2007, cancelei todos os meus compromissos. Eu sentia cada vez mais intensamente, cada vez mais profundamente, meu amo por Edwige. O último ano foi aquele da ligação suprema." pag 119

"... sinto a dor de uma relação singular, na qual Edwige era tudo ao mesmo tempo: minha criança, minha 'mãezinha', minha mulher, minha companheira." pag 156

"Sou um velho órfão, sempre precisei amar e ser amado, e foi com ela que essa necessidade ficou plenanemente satisfeita, em profundidade (o que não impediu as diversões amorosas, mas sempre centrado nela)." pag 160

Edgar, veio várias vezes ao Brasil, com Edwige e mesmo após a sua morte."Nesses dez dias no Pantanal, tudo o que era belo, interessante, sobretudo os pássaros que ela adorava, me lembrava Edwige. E esse pequeno pássaro charmoso... Mas eu estava com Irene, Véronique, Michel, Giles era bom tê-los, ter o sentimento de uma família reencontrada..." pag 175

"O aniversário de sua morte se aproxima: estou perturbadíssimo e as lágrimas jorram sem parar. Eu me sinto perdido..." pag 272

"Minha tristeza não se circunscreve na perda. Compreendi isso durante a escrita deste livro: eu sofria tanto por sua vida quanto por sua morte." pag 291

"Eu me separo da inseparável sem me separar. Sua voz continua na secretária eletrônica de meu celular. Sua voz, a única coisa viva dela... Subsistirá algo mais? Sua alma? Sua sombra? Eu lhe pedi muitas vezes que se manifestasse." pag 294