Poesia para 'Bárbara Bela'... Inconfidência Mineira

Visitando o Sul da Bahia, encontrei a poesia a seguir escrita na parede do Restaurante "Bárbara Bela" e não resisti... fotografei e aqui segue a poesia e um pouco de história...


Liras
Alvarenga Peixoto
(1742- 1792)


Bárbara Bela,
Do Norte Estrela,
Que o meu destino
Sabe guiar
De ti ausente
Triste, somente
As horas passo
A suspirar

Por entre as penhas
De incultas brenhas,
Cansa-me a vista
De ti buscar,
Porém não vejo
Mais que o desejo
Sem esperança
De te encontrar

Eu bem queria 
A noite e o dia
Sempre contigo 
Poder passar
Mas orgulhosa
Sorte invejosa
Desta fortuna
Me quer privar

Tu, entre os braços
Ternos abraços
Da filha amada
Podes gozar
Priva-me a estrela
De ti e dela
Busco dois modos
De me matar!



Inconfidente e poeta brasileiro nascido no Rio de Janeiro, RJ, de posição mediana entre os numerosos versejadores ativos na segunda metade do século XVIII, em Minas Gerais. Estudou com os jesuítas, provavelmente em Braga, Portugal, e (1760) ingressou na Universidade de Coimbra, onde se formou, com louvor (1768). Acrescentou (1769) a seu nome literário o sobrenome Peixoto e se assinava também, como integrante da Arcádia Mineira, com os pseudônimos de Alceu e Eureste Fenício. Doutor em leis pela Universidade de Coimbra, foi juiz de Cintra e regressou ao Brasil (1775) como ouvidor de Rio das Mortes, a atual São João del-Rei. Casou-se (1781) com Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira, também poeta e a quem dedicou alguns de seus melhores versos. Proprietário de lavras no sul de Minas, tomou parte no famoso movimento nacionalista da Inconfidência Mineira, por discordar das pesadas taxações do reino. Em companhia de seu parente Tomás Antônio Gonzaga, foi conduzido ao presídio da Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro. Negou sua participação no movimento, mas mesmo assim foi condenado à morte, pena comutada para o degredo em Angola, onde permaneceu desterrado e morreu, no presídio de Ambaca (1792). De sua obra restam apenas alguns sonetos e uma pequena obra laudatória. Teria escrito, segundo a tradição, o drama lírico Enéias no Lácio, hoje desaparecido. Suas composições existentes, reunidas em Obras poéticas (1865) por Joaquim Norberto, foram reproduzidas por Péricles Eugênio da Silva Ramos na antologia Poesia do ouro (1964). Embora tenha escrito versos de lealdade a D. Maria I e ao Marquês de Pombal.

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